#2 – ENTREVISTA | Natália Espinosa

Congresso Tribal entrevista Natália Espinosa (Campinas, SP | Brasil), professora/ bailarina do evento e parceira Campo das Tribos há anos!

Natalia EspinosaCT: Porque começou a dançar? O que te levou a procurar esta arte? 

NE: Eu sempre estive matriculada em alguma aula de dança porque tanto minha tia-avó por parte de mãe quanto a família do meu pai queriam que eu dançasse, mas eu nunca fui talentosa. Quando criança, fiz balezinho, flamenco por ser de família espanhola por parte do meu avô paterno, jazz, mas nunca me interessei o suficiente e sempre estive entre as piores da classe. Aos onze anos vi uma mulher dançando dança do ventre e me encantei. Disse: se eu for dançar, é isso que quero dançar. Conheci o tribal fusion porque me indicaram, já que eu fazia dança do ventre, e logo depois conheci o ATS®. Logo, minhas primeiras aulas de dança não foram escolhidas por mim, mas eu comecei a dançar dança do ventre porque fiquei encantada e quis me mover daquela forma. O tribal me encantou muito mais, e por isso busquei aprender tudo o que podia.
CT: Desde qual ano você se dedica aos estudos no Tribal e em qual ano se tornou professor (a)? 
NE: Eu conheci o tribal em 2008, mas comecei a ter aulas em 2010. Posso dizer, no entanto, que somente em 2012 eu comecei a me dedicar de forma regular, semanal, porque a escola Campo das Tribos foi inaugurada e eu tinha um lugar para ir estudar. Ia de Campinas para São Paulo duas, às vezes três vezes por semana. Me formei Sister Studio FCBD® em 2013, mas não me julgava pronta para dar aulas. Criei um pequeno grupo de estudos em Campinas, ofereci um ou outro workshop de introdução ao ATS®, mas comecei a dar aulas mesmo em 2015.
CT: Com quais modalidades de dança você trabalha atualmente? 
NE: ATS® e Tribal fusion.
CT: Em quais escolas você ministra aulas? 
NE: Eu hoje trabalho com cursos e workshops avulsos em Campinas e em diversas cidades. Dou aulas regulares apenas no meu espaço, que é a sala da minha casa, o Espaço Amora.
Informações sobre aulas: 19983048444
CT: O que a sua carreira representa em sua vida? 
NE: Trabalhar com sua paixão é desafiador e maravilhoso. Hoje sou muito feliz porque dou mais aulas de tribal (ATS® e Fusion) do que de inglês, minha outra fonte de renda. É sempre gostoso, embora eu nunca esteja satisfeita com meu desempenho a ponto de achar que posso parar de estudar. É um caminho de aprimoramento pessoal e também social, pois o meio artístico tem muitas peculiaridades nesse âmbito com as quais precisei aprender a lidar.
Sou formada em Biologia Marinha, tenho licenciatura e cursei o mestrado em Ecologia. No entanto, sinto-me muito mais enriquecida de conhecimento e experiência de vida fora da academia, trabalhando com arte, inspiração, gente.
Sou feliz por ter escolhido essa carreira. Ela me alimenta.
13640910_1134189129976402_7501854915545572874_oCT: Como sente o crescimento da cena Tribal? O que mudou, melhorou ou piorou? 
NE: Sinto que a cena tribal continua a crescer, embora de forma mais caótica nos últimos anos. Hoje temos muitos professores com quem estudar aqui no Brasil, não precisamos mais ser autodidatas como há pouco mais de dez anos atrás. Em 2012 e 2013 tínhamos escolas e festivais mais consolidados que nos davam direcionamento, mas hoje parece que a cena está fragmentada (embora ainda crescendo). O acesso a aulas melhorou, acredito que a qualidade de quem procura se aprimorar também. O que piorou… bem, temos muitos professores para poucos alunos, e muitas pessoas se apegam a certificações e cursos que se denominam de formação para estagnar seus estudos. Creio que nos falta ainda um pouco de maturidade e precisamos entender que esses cursos e certificações são apenas os primeiros passos em uma longa caminhada. Nosso estilo está sempre mudando, é um bebê ainda, é preciso estar atento para acompanhar seu crescimento e não tomar nada como garantido.
CT: Onde deseja chegar como professor (a) do estilo?
NE: Eu desejo que minhas aulas sejam de excelente qualidade. Quero que meus alunos saiam da aula com muitas ferramentas para atingir seus objetivos e que se sintam sempre confiantes de que minha sala de aula é um lugar pensado e feito para desenvolvê-los ao máximo e ajudá-los a atingir seus objetivos. Se a maioria dos meus alunos sair da minha aula amando o estilo e desejando aprender mais, estou feliz.
Creio que como professora tenho uma função na divulgação responsável dessa forma de dança e quero ser (e quero ser reconhecida como) uma fonte confiável de conhecimento e recursos para quem busca seguir esse caminho com respeito e dedicação.
CT: Qual a principal transformação que sente em seus alunos ao aprenderem o 49698559_2103481423047163_8591249169820155904_oTribal? 
NE: Certamente, entre as mulheres, uma maior aceitação de si mesmas. Alegria onde havia ansiedade, paciência onde havia julgamento. Acredito que a dança pode curar algumas feridas emocionais e vícios sociais negativos, como a inveja, o perfeccionismo destrutivo, a idolatria da imagem ideal de si…
A dança também ajuda muito com o alinhamento do corpo, fôlego, resistência, flexibilidade. No caso do ATS®, vejo muito o desenvolvimento rápido das habilidades ligadas a ritmo e musicalidade, por causa dos snujs.
São muitas transformações lindas!
CT: O que é Tribal LifeStyle para você?
NE: Eu sinto que o estilo de vida Tribal é algo sobre o qual muito se fala, mas que é pouco visto.
Eu entrei nesse estilo apaixonada por sua filosofia. Acredito em seu poder. Acredito na força da união, do compartilhar, da beleza do todo para a qual contribuímos… Respeito às origens, às raízes, respeitar e honrar quem abriu as portas pra você, respeitar e honrar os alunos que confiam em você, respeitar e honrar seus colegas tendo a certeza de que tem espaço para todos… Vivo por esses valores e em minhas aulas conversamos muito sobre eles. Para mim, eles são parte da dança. Sem eles, o tribal é só uma porção de movimentos.
Sentir essa conexão com tudo o que levou à construção dessa dança, ser um fio nessa trama infinita, isso me encanta e me dá forças para continuar.
Algumas pessoas dizem que isso é ingenuidade, é papinho, e que existe um mercado cruel onde as coisas não são bem assim. Bem, prefiro ficar longe! Gosto de alimentar essa rede, não escondo conhecimento, não guardo informação, meu objetivo é que todo mundo dance. Quanto maior a tribo, melhor!
CT: Quantas edições do Festival Campo das Tribos ou Congresso Tribal você já participou? 
NE: O Campo/Congresso é meu evento favorito como aluna e como professora. Como aluna participo desde 2012, quando ainda era o Campo das Tribos. Como professora, participo desde o primeiro Congresso. É uma grande honra para mim e o primeiro convite foi um marco na minha carreira.
18588738_1413323945396251_8504097874261424023_oCT: Conte um pouco da sua experiência nas produções Campo das Tribos e o que elas transformaram em sua carreira e na cena Tribal da América do Sul. 
NE: Como eu já disse, é meu evento favorito.
Tenho uma ligação emocional muito forte com o Campo das Tribos porque foi o primeiro palco em que eu pisei (eu nunca me apresentei com dança do ventre, em mais de dez anos fazendo aulas, porque tinha vergonha)! Nos festivais, conheci muitos professores internacionais, tive contato com a cena, conheci amigos que levo comigo até hoje e aprendi muito. Ver o trabalho de profissionais e amadores é uma forma de se inspirar e abrir a mente para novas possibilidades. O Congresso pra mim é uma evolução do Campo, porque é como uma imersão na comunidade tribal. As pessoas se encontram, ficam felizes, renovam os figurinos, fazem aulas e conhecem profissionais com quem não tinham estudado antes e as atrações internacionais são sempre de qualidade indiscutível. Estar no Congresso sempre me dá forças para continuar nessa carreira, que pode ser muito difícil às vezes. A gente se sente renovado, inspirado. É necessário que haja um evento assim. Ah, e muita gente conheceu meu trabalho através do Congresso! Sou muito grata por isso, também.
1957735_848455958549722_6517161446300269080_oCT: Deixe um recado, uma dica ou um pensamento para os alunos do Congresso Tribal e amantes do estilo.
NE: Sim, esse estilo é pra você. Esse estilo é pra todos dispostos a estudar com paciência, humildade e amor. Por isso, entregue-se à prática sem julgamentos. Se você vai ao Congresso, aí está uma oportunidade maravilhosa para desenvolver a sua dança! Estude com a maior quantidade de professores possível, tenha um caderno, reconheça seu progresso e não pense “este movimento está ruim”, pense “preciso treinar esse movimento todos os dias”!
Poder dançar é maravilhoso, compartilhe sua arte com o mundo!

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