A Dança e o Sagrado

POR CAROL BISPO

foto 1Minha história com a dança teve início há mais de 15 anos. Ainda adolescente, comecei a fazer aulas regulares de dança do ventre em uma academia perto de casa. Nessa mesma época, iniciei meu desenvolvimento espiritual no paganismo.
Desde o princípio, não me era possível dissociar minha dança de minha fé, pois a dança, como nada mais, me conectava com as energias universais, com a sacralidade da terra e a força de minhas ancestrais.

Não saberei definir se a dança despertou minha espiritualidade ou se foi minha crescente fé que me levava a dançar, mas uma coisa sempre foi certa, a dança era sagrada e eu não podia conceber uma religião em que eu não pudesse dançar.
Os anos passaram, minha espiritualidade se tornava mais profunda e eu evoluía tecnicamente na dança do ventre, porém passei a viver um conflito, a dança, que eu considerava uma forma de contato com meus Deuses, estava imersa em um meio de vaidade exacerbada, intrigas e competições. As mulheres, ao invés de cuidarem uma das outras e se apoiarem, disputavam entre si para ficar em evidência.

Meu amor e respeito pela dança do ventre não diminuíram, mas era hora de partir em busca de algo que refletisse meus sentimentos em relação à dança.

Foi nessa busca que cheguei ao Tribal Fusion e posteriormente ao ATS®. Ali encontrei o que eu procurava: a sacralidade da tribo, a força de um grupo de mulheres que se unem para dançar, em respeito e união.foto 2

Descobri que o ATS® movimenta uma enorme energia e resgata a força ancestral dos grupos de mulheres ao nos fazer dançar em tribo, olhar nos olhos das parceiras e trabalhar juntas para construir algo belo.

Em uma apresentação de ATS® não há ninguém em evidência, todas são importantes e precisam trabalhar juntas, com gentileza e atenção. É preciso pensar umas nas outras, estar presente, se conectar com quem se compartilha a música e juntas, como uma verdadeira tribo, construir o espetáculo. Um espetáculo que nunca poderá ser repetido, pois cada apresentação é única, mas que estará gravado para sempre na grande canção universal.

Uma dança como o ATS® é capaz de profundas transformações, pois quando um grupo de mulheres se une, em respeito e amizade, elas resgatam sua verdadeira força e curam umas às outras, e assim são capazes de curar o mundo.

foto 3Uma bela apresentação de ATS® é um poderoso ritual, digno da atenção dos Deuses.
Eu danço a vida de minhas antepassadas. Eu danço a dança da Mãe Terra. Eu danço por todas mulheres que foram, são e que ainda virão.

 

Depoimento de Annamaria Marques

POR ANNAMARIA MARQUES

Desde a época do Festival Campo das Tribos, ir a São Paulo para participar do evento é para mim e minhas alunas, um marco em nosso ano letivo. Um momento para por a prova nosso trabalho em um palco “fora de casa” sempre foi emocionante e assustador. Aquela sensação de “frio na barriga” sempre vindo à tona: de como nosso trabalho seria recebido onde a cena Tribal é mais forte.

No ano do 1° congresso tribal sul-americano, levei minha Cia recém criada, a Tribo Dannan, para debutar no show de mostras e tive também como grata experiência ministrar um workshop neste evento.

12107193_10208863808331446_6587449630575588478_nSempre nos sentimos bem recebidas e pelo ano passado, só posso dizer que superou nossas expectativas: espaço, organização e recepção de primeira.
Tive também a oportunidade de fazer workshops das outras profissionais do Tribal : uma excelente oportunidade para estudar com pessoas de vários pontos da América do Sul em um mesmo local.

O Congresso Tribal Sul-americano é um excelente momento para vivenciar e reafirmar aquilo que acredito ser o cerne do estilo: espírito de união e cooperação, estudo, auto-conhecimento e crescimento para todos!

 

Depoimento Mariana Esther (Professora oficial do Congresso Tribal)

Por Mariana Esther 
Sister Studio FCBD®
Professora oficial do Congresso Tribal

Foi um prazer participar como aluna e como profissional do 1o. Congresso Tribal Sul-Americano (abril/2016). A proposta foi não somente ousada, mas muito bem sucedida.

Rebeca conseguiu reunir profissionais de diversas “áreas” do conhecimento ou, neste caso, de “linhagens” do estilo Tribal de Dança do Ventre do Brasil e demais países da América do Sul. Esses profissionais, todos de altíssima qualidade, compartilharam um pouco de sua visão da arte e técnicas com o público e com os demais colegas, renovando seus próprios conceitos e criando novas parcerias.

O formato inovador, com aulas curtas e sequenciais e temas muito atrativos, atendeu plenamente à proposta do evento. Os participantes conseguiram apreciar uma amostra significativa da diversidade do estilo (que, diga-se de passagem, não é pouca!), num cronograma dinâmico e num ambiente que integrou organicamente professores, alunos e expositores.

A equipe organizadora merece um destaque especial, pois recepcionou a todos com muito carinho, profissionalismo e eficiência. Eram quase super-humanos, fazendo o evento acontecer, participando das atividades com você e resolvendo seus anseios!

Meu reconhecimento especial à querida “Sister” Rebeca Piñeiro, que possui a habilidade rara de tornar qualquer bate-papo, aula ou grande evento algo diferenciado e inesquecível, rico em detalhes e conteúdo.

Se precisasse definir em poucas palavras o Congresso Tribal Sul-Americano, eu recitaria: conhecimento, organização e acolhimento!

Sei que encontrarei tudo isso na próxima edição do Congresso, que já é logo mais: em abril/2017! Ansiosa por reencontrar companheiros e aprender ainda mais *\o/*

Depoimento de Thaisa Martins

Congresso Tribal Sul-Americano 2016
Por Thaisa Martins | Rio de Janeiro | Brasil 

Alguma vez você já se sentiu fazendo parte de uma tribo? Se sentiu como se REALMENTE fizesse parte de uma irmandade que te acolhe como uma verdadeira integrante? Essa é a exata definição do Congresso Tribal Sul Americano para mim.
Tudo começa com meses de antecedência, você se inscreve no evento, providencia passagem, hotel, vê as amigas que vão com você e depois é só esperar.
Quando finalmente chegou o primeiro grande dia, eu e minhas amigas pegamos o metro logo pela manhã, já não aguentávamos de tanta ansiedade para conhecer o local do evento, até então tudo estava no imaginário e não sabíamos o que iriamos encontrar.
Fomos uma das primeiras a chegar e para nossa surpresa a própria Rebeca nos recebeu na entrada. Ela fez questão de perguntar nossos nomes e desejar as boas-vindas, fiquei toda boba “Caraca era Rebeca!!!” até então só a tinha visto pelo computador.

Daquele momento em diante, começava uma deliciosa maratona e logo no primeiro workshop já deu para perceber que seria algo mágico. Cada profissional que subia no palco mexia com uma parte dentro de mim, despertava um sentimento gostoso de descobrimento e passava alguma coisa completamente nova.
Fiz novas amizades entre uma aula e outra, foi incrível conhecer meninas de vários cantos do pais que estavam ali tão entregues. Essa entrega era quase uma coisa física, palpável. A equipe, as alunas, os professores, todos com o mesmo objetivo de fazer com que aquela experiência fosse maravilhosa.
Todos os dias que se seguiram éramos umas das primeiras alunas a chegar e as últimas a sair do evento. “ Nem que seja para sair daqui carregada, vamos ficar até o final! ” Esse era o nosso lema.

No segundo dia, ocorram 2 coisas que me marcaram muito. A primeira foi que eu tive a oportunidade de dançar ATS com a própria Rebeca, a experiência foi muito forte, dançar ao lado de alguém que você admira. A segunda foi o workshop casadinho da Long Nu e da Alondra Machuca, tivemos que nos transformar em vampiros e lobisomens e foi realmente muito legal.

Esse era o dia da mostra de dança, foi incrível poder se apresentar naquele palco, o frio na barriga logo antes de entrar e as palmas do público no final, me arrepio só de lembrar. Dois amigos do RJ foram especialmente para me ver dançar e ficaram loucamente encantados com todas as apresentações.

No terceiro dia, minha professora de Tribal Rhada deu a sua aula e particularmente foi muito emocionante vê la representando a escola que faço parte. Ela que é a minha maior inspiração para a dança desde a minha adolescência.
Esse dia foi tão intenso que eu simplesmente me esqueci de almoçar, e esse descuido cobrou seu preço. No final do show de gala minha pressão caiu, fui a lanchonete e pedi as meninas um sache de sal para tentar dar uma melhorada, mas para minha surpresa a menina que me atendeu era enfermeira e, muito atenciosa e cuidadosa, me deu uma laranja que segundo ela me ajudaria mais do que o sal, e não é que funcionou?
Foi nesse momento que eu realizei que esse evento era muito mais do que os profissionais de dança dando os workshops, mas sim que estávamos em uma grande tribo onde cada pessoa ali tinha a sua vital importância.

No quarto e último dia, minha professora de ATS Aline deu sua colaboração e foi muito lindo, vi como as outras profissionais a respeitam e isso foi muito legal. Ela que é a grande inspiração do ATS da minha vida e a responsável por fazer com que eu estivesse participando desse evento pois, ela que nos incentivou a ir.
Todos os dias ganhávamos uma pulseira para sinalizar que éramos alunas, e eu simplesmente não consegui tirar nenhuma até tudo acabar pois, para mim, aquele era um símbolo de união e compromisso com a experiência, tenho elas guardadas até hoje com muito carinho.

Quando enfim acabou já estava com saudade de tudo, fui embora contando os dias para o próximo e sentindo que eu realmente havia encontrado o meu lugar, o meu propósito.
Havia sido como prometido, INESQUECIVEL.