O palco

Por Nadja El Balady

No caminho evolutivo da nossa dança, existe algo a aprender que apenas o palco pode nos ensinar: Aquele “quê” a mais, aquele elemento invisível que faz o momento da apresentação mágico.
Tudo faz parte deste aprendizado: O cuidado com o figurino, o nervoso, as borboletas na barriga, aquela vontade de desistir e aquele momento em que você finalmente está ali. Tudo se apaga e a luz se acende dentro de si. E a arte acontece.

Você nunca estará completamente pronta (o). Não deixe para começar a se apresentar quando pensar que vai estar pronta (o). Sem a experiência do palco, de nada adiantam anos e anos de aulas regulares e workshops. É preciso se desafiar e enfrentar com coragem e alegria o momento da primeira apresentação.

Estar frente ao público é se ver através do olhar do outro. É estar exposta (o), é se revelar. Propor ideias, exercitar o eu e o nós. Pode ser assustador, mas pode ser muito acolhedor também. Frequentemente somos muito mais exigentes em relação ao nosso próprio trabalho do que o outro.

16388657_10209585048955687_1984935885_oNão se julgue demasiado, apenas dê o seu melhor. Nossa trajetória não tem fim, estar no palco ali naquele momento significa apenas um marco a mais no seu caminho. Se as pessoas vão ou não gostar do que viram, é algo que não podemos controlar. A partir do momento em que você se apresentar, sua arte não pertence somente a você, pertence também a quem assistiu. Sempre haverá quem gosta, sempre haverá quem não gosta. Não podemos agradar a todos e isto é natural. Nada é unânime, as pessoas são diferentes e possuem gostos diferentes.

Suas ideias reveladas através da arte servem de alimento para quem assiste. Pode servir de inspiração a outros artistas, nos inspiramos sempre uns nos outros. Criamos uma rede formada por pensamentos e ideias de arte. Quanto mais você assistir, quanto mais você apresentar, melhor.

Agarre todas as oportunidades que você tiver. Dance em grupo, leve seu estudo de solo. Frequente festivais, mostras e concursos. Quanto mais você subir ao palco, mais confortável você estará.

Competir ou não competir? Existem pessoas naturalmente competitivas e que se sentem mais à vontade em relação ao julgamento alheio. Estas pessoas participarão de concursos pela adrenalina de competir. E concursos costumam ter boa visibilidade, ideal para quem está se lançando no meio artístico. Se você não é destas pessoas competitivas, tudo bem. Mostras não competitivas também são ótimas para ser vista (o), para conhecer novos artistas, para integrar o seu meio e trocar com outras pessoas.

Não tema o erro! Muitos movimentos lindos surgiram do erro. Quando você sola, ninguém sabe o que foi que você planejou, então se você agir com naturalidade, ninguém vai nem perceber o tal erro. Se estiver em grupo e não tiver como disfarçar, apenas siga adiante com a coreografia. Não desvalorize o sucesso de toda uma coreografia por conta de um erro de alguns segundos. Seja feliz e encare o erro com bom humor.

Estar no palco é mágico e cria entre as pessoas que dançam juntas um laço invisível, um sentimento de irmandade e união. Todo o processo faz parte: ensaiar, repetir mil vezes, abrir mão de outros compromissos pelo ensaio, investir no figurino, na inscrição. Todo o esforço será recompensado pelo palco. Tudo terá valido a pena quando a música começar, tudo se preencherá de significado quando os aplausos irromperem da plateia.

Participe; assista; se prepare; estude; treine e se apresente. Curta ao máximo todas as etapas da evolução da sua dança. Porque é simplesmente delicioso estar no palco. Porque quando terminar, você vai querer voltar. Porque dificilmente você encontrará outro prazer maior na sua vida.