Jill Parker e a Criação do Tribal Fusion

Jill Parker e a Criação do Tribal Fusion
Por Natália Espinosa

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Quando pensamos em Tribal Fusion, qual é a primeira bailarina que nos vem à cabeça? Muitas de nós conhecemos o Tribal Fusion através dos vídeos do Bellydance Superstars e diremos, sem titubear: Rachel Brice (quando muito, Zoe Jakes, Sharon Kihara ou Mardi Love). Embora todas essas mulheres tenham sido grandes divulgadoras do estilo, a grande responsável por remoldar o estilo Tribal foi Jill Parker.

Jill Parker deu o primeiro passo na intenção de transformar o que era conhecido como tribal nos EUA dos anos 90, adicionando a seu estilo uma miscelânea tanto de influências mais antigas, como a linguagem da dança do ventre (que nos Estados Unidos tem o nome de cabaret bellydance) e a estética vaudeville, quanto de quebra de padrões do ATS®, como o abandono do choli e do turbante – ainda parte do dress code na época – e também a criação de performances totalmente coreografadas, que permitiram a Jill uma exploração diferente da musicalidade na dança. O Tribal Fusion ainda não tinha nome, mas já tinha mãe.

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E melhor mãe não poderia haver. Jill foi uma das integrantes originais do FatChanceBellyDance® e criadora do icônico Ultra Gypsy, do qual fizeram parte Rose Harden, Sharon Kihara e Rachel Brice. Em uma entrevista* Jill diz:

Eu venho estudando a dança do ventre em suas tantas encarnações diversas – um pouco de American Tribal Style®, um pouco de estilo mais regional e folclórico, estilos mais específicos de folclore como o da Arábia Saudita e todas essas regiões do mundo, estilo de dança do ventre clássico cabaret, que é o estilo que vem do Egito, e a versão meio que americanizada. Existem muitas versões de dança do ventre incluindo o tribal fusion, que é amplamente o que eu ensino, com uma dose bem saudável de folclore clássico misturado.

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Jill foi responsável por algumas outras inovações no Tribal que se conhecia na época: embora Rachel Brice tenha sido de fato a primeira pessoa a ser reconhecida como solista do estilo, Jill já se apresentava com solos antes. Além disso, o Ultra Gypsy original contava com um homem em sua formação, o que consolidou a atmosfera de aceitação dessa nova fusão que viria a ser chamada de Tribal Fusion anos depois.

Apesar de ter sido responsável por essa revolução no estilo tribal de dança do ventre, Jill Parker não se deitou sobre seus louros e continua estudando e pesquisando até hoje, o que a torna uma dançarina que sempre traz algo novo para o palco e uma professora muito respeitada.

Vinte e sete anos depois (N.T.: a entrevista foi concedida em 2015) eu ainda me considero uma aluna. Eu ainda sinto como se eu estivesse indo cada vez mais fundo nesse poço de informação que está aí, e eu amo ensinar. Eu realmente amo ensinar, com certeza é o meu chamado nisso tudo”.

Jill Parker estará no Congresso Tribal Sul-Americano, possibilitando que muitos de nós 4 - jill3estudemos com ela aqui no Brasil. É uma oportunidade imperdível: além do aprendizado que ela traz com sua bagagem de estudo e experiência em dança do ventre, é um privilégio do nosso tempo poder aprender com quem desenvolveu essa forma de arte, com quem estava lá quando tudo aconteceu. Poder ter aulas com ela em nosso país é, certamente, um presente!

 

 

Vídeos

Referências e leituras adicionais:

http://www.gildedserpent.com/cms/2010/12/14/jamine-june-tribal-fusion-jill-parker/

http://www.gildedserpent.com/cms/2010/11/03/jasmine-june-intro-tribal-fusion-belly-dance/

https://odcsf.wordpress.com/2015/08/26/sharing-the-healing-power-of-dance-a-conversation-with-jill-parker-by-maya-kitayama/

https://www.jillparkerbellydance.org/bio

http://tribalmind.blogspot.com/2011/01/pequenas-biografias-jill-parker.html

O ATS®

POR MARIANA QUADROS
SisterStudio® do FCBD® e integrante do programa SSCE®

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O ATS® (American Tribal Style®/ Estilo Tribal Americano) é uma dança de improvisação coordenada em grupo.

É um estilo relativamente novo, que nasceu oficialmente em 1987 com a criação do grupo FatChance BellyDance® por Carolena Nericcio em São Francisco, CA. Seu repertório de movimentos é baseado na dança do ventre com toques de folclore oriental, flamenco e danças clássicas indianas, mas o ATS® possui várias características que o tornam singular. A postura altiva e os braços altos inspirados no flamenco imprimem uma aura de integridade e orgulho às dançarinas.

A improvisação coordenada em grupo funciona de forma que a líder utiliza gestos e sinais não-verbais para se comunicar com as outras, improvisando com base em um repertório comum a todas as dançarinas do gênero.

179491_3080942477952_1467353936_nA linguagem criada para desenvolver o improviso é tão bem estruturada que se torna imperceptível aos olhos do público leigo. Isso também provoca uma maior integração entre as dançarinas, uma vez que precisam estar sempre atentas ao próximo sinal da líder. No ATS®, o importante é apresentar a dança como um conjunto, não existe individualismo já que a liderança é alternada durante uma apresentação. Também não existe o trabalho solo, embora eventualmente uma dançarina possa ir à frente do grupo dançar por alguns poucos minutos. Mas a essência do ATS® está justamente na cooperação, no trabalho em grupo. Daí também o aspecto “tribal” do estilo.

Outros pontos que contribuem muito para o espírito tribal do ATS® são os trajes e a música. Os trajes são extremamente elaborados e compostos de muitos elementos, grande parte oriunda de tribos da África do Norte, Oriente Médio e Índia. As músicas utilizadas são, em sua maioria, folclóricas da África do Norte e Oriente Médio. Por todos esses fatores e pela sensação geral transmitida por um grupo de ATS®, não é difícil que ele seja confundido com uma dança tradicional. Assim, ele foi batizado no início para espantar o medo que os mais conservadores tinham de que esse novo estilo fosse interpretado como algo tradicional. O “american” do rótulo deixa claro que as bailarinas estão geograficamente distantes da cultura que criou a dança e tomando liberdades artísticas com ela, e o “tribal style” descreve as dançarinas trabalhando em conjunto e com um visual “tribal”.

HELM no Brasil!

HELM pousará no Brasil durante sua turnê para apagar as velas dos 10 anos de Campo das Tribos com a Tribo da América do Sul!
Você dançará ao som ao vivo do Helm com as músicas mais conhecidas pela Tribo!
As aulas com Ling e Mark farão parte do PACOTE PASSE LIVRE! Sim, é isso mesmo! Atração internacional dos EUA, Argentina, Peru, Chile e os profissionais do Brasil juntos, ministrando aulas e agregando valor ao mundo do Tribal!