Turbante

Por Claudia Buzian

O tão amado e polêmico elemento de resistência negra, religiosidade, moda, status social, civil, político e a nossa dança!

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As pessoas que fazem uso dele, dentro dessas circunstâncias que listei, não fazem ideia que existimos, com esse amor e respeito a ele e com uma causa tão significativa para cada uma de nós!
Os amantes de ATS sabem bem o que quero dizer.

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Nos anos 80, a nossa aclamada artista Carolena Nericcio, criou um padrão estético e cultural para o ATS inspirada no que Masha Archer, sua professora, iniciou nos anos 70.  Masha, inspirada na Dança do Ventre, dentre outras modalidades, quis que a bailarina apenas chamasse atenção pela sua arte e não pelo seu corpo à mostra.
Com o uso do turbante, quem tivesse cabelos compridos não chamaria mais ou menos atenção que a bailarina careca, por exemplo.
O mais importante sempre seria a dança, o todo.

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Hoje em dia o padrão estende-se para novos formatos e o turbante não é mais tão usado.
Que pena! Amo ver quem ainda dança com essa coroa!
Tem um tutorial no youtube da Larissa Archer (filha de Masha Archer), com algumas amarrações interessantes para o ATS, assim como no dvd do FCBD® “FCBD Tribal Basics Vol 2 Make Up & Costume”.

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Para o dia a dia, a artista Esmeralda Colabone dá dicas:

Todos os dias, esse acessório tão cheio de significados é questionado sobre o seu uso e por quem.
Quem pode e quem não pode usá-lo, quem está certo e quem está errado.
Não vou entrar no assunto complexo de Apropriação Cultural, isso seria algo para outro texto, mas vou deixar um vídeo ótimo! Feito por uma profissional e pesquisadora maravilhosa!

Juliana Luna é estrategista de comunicação, articuladora urbana, artista, atriz e embaixadora cultural.

Ela também dá dicas, de amarrações, no projeto que ela comenta no vídeo abaixo:

Cada usuária tem a sua luta, assim como na dança. Enquanto algumas de nós lutam para que a dança seja algo mais profissional, por exemplo, no Egito, algumas bailarinas lutam ‘apenas’ pelo direito de dançar, sem que precisem esconder suas malas de figurinos e maquiagem ou usar seguranças nos eventos em que trabalham
Então agora, a luta árabe, a opinião de quem usa por escolha ou por imposição, já que, curiosamente, esses dias foi o Dia do Hijab ( 1º de fevereiro).

O vídeo com legenda está na página do facebook Vivendo o Islam: https://www.facebook.com/vivendooislam/

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Vocês verão no vídeo que, elas comentam de alguns tipos de amarrações diferentes. Elas criam muitas formas de ficarem mais bonitas.
Dizer isso, me lembrou a Lei Tignon, criada em 1786, voltando à causa negra.
Aconteceu nos Estados Unidos, no período da escravidão. Dentre várias normas, para tentar estabelecer a ordem social, as mulheres livres ou não, foram obrigadas a usar um pano na cabeça, para esconderem seus cabelos e penteados, quando estivessem perante a sociedade. Isso porque, elas estariam chamando muito a atenção na alta sociedade branca.
Elas seguiram a lei, mas usando tecidos muito bonitos e enfeites para tornar o turbante ainda mais incrível. E seguiram poderosas.

E o que eu acho do seu uso na dança e de todos os elementos que nos são intrínseco?

Antes, esses vídeos:

Nossa arte usa de personagens para que histórias sejam contadas no palco e, nos caracterizamos com nossas experiências e coleções, principalmente no ATS® e suas vertentes. Tudo faz parte de uma busca incessante de elementos tribais ou não, que nos trazem significado sobre o que queremos passar e o que somos!
Eu por exemplo, não consigo me desprender do que me faz sentido, do que me conecta com toda a minha ancestralidade. Vocês poderão me ver por aí com turbante, Henna, tranças, sari, tudo! O que me religa e junta meu quebra-cabeça, não me deixa perder o chão.
Mas como esse pano amarrado tão simbólico surgiu?
Existem relatos de seu uso antes mesmo de Maomé, lá no Oriente Médio e continente Africano.
Éle é símbolo de fé em diversos países e culturas.
Islamismo, Sikh, Candomblé e Umbanda são exemplos.

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Algumas religiões ligam o seu uso ao peso da sua fé, sua fidelidade à ela, proteção contra os maus pensamentos.

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