O ATS®

POR MARIANA QUADROS
SisterStudio® do FCBD® e integrante do programa SSCE®

15202534_10211291520145936_8046123395892547329_n
O ATS® (American Tribal Style®/ Estilo Tribal Americano) é uma dança de improvisação coordenada em grupo.

É um estilo relativamente novo, que nasceu oficialmente em 1987 com a criação do grupo FatChance BellyDance® por Carolena Nericcio em São Francisco, CA. Seu repertório de movimentos é baseado na dança do ventre com toques de folclore oriental, flamenco e danças clássicas indianas, mas o ATS® possui várias características que o tornam singular. A postura altiva e os braços altos inspirados no flamenco imprimem uma aura de integridade e orgulho às dançarinas.

A improvisação coordenada em grupo funciona de forma que a líder utiliza gestos e sinais não-verbais para se comunicar com as outras, improvisando com base em um repertório comum a todas as dançarinas do gênero.

179491_3080942477952_1467353936_nA linguagem criada para desenvolver o improviso é tão bem estruturada que se torna imperceptível aos olhos do público leigo. Isso também provoca uma maior integração entre as dançarinas, uma vez que precisam estar sempre atentas ao próximo sinal da líder. No ATS®, o importante é apresentar a dança como um conjunto, não existe individualismo já que a liderança é alternada durante uma apresentação. Também não existe o trabalho solo, embora eventualmente uma dançarina possa ir à frente do grupo dançar por alguns poucos minutos. Mas a essência do ATS® está justamente na cooperação, no trabalho em grupo. Daí também o aspecto “tribal” do estilo.

Outros pontos que contribuem muito para o espírito tribal do ATS® são os trajes e a música. Os trajes são extremamente elaborados e compostos de muitos elementos, grande parte oriunda de tribos da África do Norte, Oriente Médio e Índia. As músicas utilizadas são, em sua maioria, folclóricas da África do Norte e Oriente Médio. Por todos esses fatores e pela sensação geral transmitida por um grupo de ATS®, não é difícil que ele seja confundido com uma dança tradicional. Assim, ele foi batizado no início para espantar o medo que os mais conservadores tinham de que esse novo estilo fosse interpretado como algo tradicional. O “american” do rótulo deixa claro que as bailarinas estão geograficamente distantes da cultura que criou a dança e tomando liberdades artísticas com ela, e o “tribal style” descreve as dançarinas trabalhando em conjunto e com um visual “tribal”.

HELM no Brasil!

HELM pousará no Brasil durante sua turnê para apagar as velas dos 10 anos de Campo das Tribos com a Tribo da América do Sul!
Você dançará ao som ao vivo do Helm com as músicas mais conhecidas pela Tribo!
As aulas com Ling e Mark farão parte do PACOTE PASSE LIVRE! Sim, é isso mesmo! Atração internacional dos EUA, Argentina, Peru, Chile e os profissionais do Brasil juntos, ministrando aulas e agregando valor ao mundo do Tribal!

A Dança e o Sagrado

POR CAROL BISPO

foto 1Minha história com a dança teve início há mais de 15 anos. Ainda adolescente, comecei a fazer aulas regulares de dança do ventre em uma academia perto de casa. Nessa mesma época, iniciei meu desenvolvimento espiritual no paganismo.
Desde o princípio, não me era possível dissociar minha dança de minha fé, pois a dança, como nada mais, me conectava com as energias universais, com a sacralidade da terra e a força de minhas ancestrais.

Não saberei definir se a dança despertou minha espiritualidade ou se foi minha crescente fé que me levava a dançar, mas uma coisa sempre foi certa, a dança era sagrada e eu não podia conceber uma religião em que eu não pudesse dançar.
Os anos passaram, minha espiritualidade se tornava mais profunda e eu evoluía tecnicamente na dança do ventre, porém passei a viver um conflito, a dança, que eu considerava uma forma de contato com meus Deuses, estava imersa em um meio de vaidade exacerbada, intrigas e competições. As mulheres, ao invés de cuidarem uma das outras e se apoiarem, disputavam entre si para ficar em evidência.

Meu amor e respeito pela dança do ventre não diminuíram, mas era hora de partir em busca de algo que refletisse meus sentimentos em relação à dança.

Foi nessa busca que cheguei ao Tribal Fusion e posteriormente ao ATS®. Ali encontrei o que eu procurava: a sacralidade da tribo, a força de um grupo de mulheres que se unem para dançar, em respeito e união.foto 2

Descobri que o ATS® movimenta uma enorme energia e resgata a força ancestral dos grupos de mulheres ao nos fazer dançar em tribo, olhar nos olhos das parceiras e trabalhar juntas para construir algo belo.

Em uma apresentação de ATS® não há ninguém em evidência, todas são importantes e precisam trabalhar juntas, com gentileza e atenção. É preciso pensar umas nas outras, estar presente, se conectar com quem se compartilha a música e juntas, como uma verdadeira tribo, construir o espetáculo. Um espetáculo que nunca poderá ser repetido, pois cada apresentação é única, mas que estará gravado para sempre na grande canção universal.

Uma dança como o ATS® é capaz de profundas transformações, pois quando um grupo de mulheres se une, em respeito e amizade, elas resgatam sua verdadeira força e curam umas às outras, e assim são capazes de curar o mundo.

foto 3Uma bela apresentação de ATS® é um poderoso ritual, digno da atenção dos Deuses.
Eu danço a vida de minhas antepassadas. Eu danço a dança da Mãe Terra. Eu danço por todas mulheres que foram, são e que ainda virão.

 

Snujs e Espadas

POR FAIRUZA

Olá, vou falar a respeito de dois acessórios que piram a cabeça de qualquer bailarino(a), snujs e espadas. Como não amá-los? E como usá-los? Darei algumas dicas!

Snujs: Os melhores são os que possuem duas entradas para colocar os elásticos. Estes, por sua vez, dou preferência aos mais grossos, pois dá mais estabilidade ao toque. Costumo, também, fazer diferenciação dos snujs dos dedos médios e dos polegares, para maior durabilidade dos elásticos. Para limpá-los, você pode usar produtos como Kaol, Brasso e até pasta de dente branca. Basta usar uma flanela para polir. Quanto ao desenvolvimento dos toques com a dança, certifique se, primeiramente, de tocá-los e logo em seguida abrir as mãos para uma boa reverberação do som. A partir daí, caminhe pela sala de aula, tocando, pois você não precisa pensar para caminhar e, direciona todo o seu foco para o toque. Após muito praticar, inicie o toque, simultâneo com a dança. A princípio, você perceberá um toque desconecto ou “choco”, abafado, mas insista pois a prática é essencial para atingir o toque cristalino, enquanto dança.

Espadas: O estilo principal da espada para tribal e ATS® é aquela conhecida como “estilo turco”, semelhante a uma cimitarra. Falemos sobre ela, equilibrada da cabeça. Respeite sempre a sua espada e ela irá te respeitar. Faça sempre movimentos com ela, com o controle no seu olhar periférico, seja braços, quadris, giros, solo etc. Execute os movimentos, imaginando que, o seu corpo está dividido em duas partes distintas: do pescoço para cima e do pescoço para baixo. Serão sempre dois comandos diferentes, ao mesmo tempo, pois o corpo, do pescoço para baixo está em uma vibe e do pescoço para cima, em outra completamente diferente. Recomendo a utilização de lixa, no baricentro da espada. Caso não queira utilizar lixa, utilize, na cabeça, um turbante com um apoio na cabeça, que te dê segurança. E jamais passe hidratante no corpo antes de dançar. Quanto aos giros e manuseios com a espada na mão, coloque força na mão que estiver no cabo e faça manobras que você tenha certeza que irá conseguir. Pode se treinar, primeiramente, com um bastão. Para um bom desenvolvimento de floorwork, cambrets e movimentos similares, é essencial já ter desenvolvido uma prática sem a espada, pois, lembre-se que irá executar com quase dois kilos a mais no seu corpo.

É isso! Para quem tiver interesse em adquirir produtos de excelente qualidade, no II Congresso, Snujs e Espadas By Fairuza serão vendidas no stand oficial do Congresso Tribal. Foram feitos artesanalmente, com projetos desenvolvidos por um Engenheiro Mecânico e por uma Arquiteta.
Beijo tribo!

 

Sinuosos Rápidos do ATS®

POR CINTIA VILANOVA

Curvaturas da Coluna Vertebral

Muitas novidades e descobertas sobre a elegante Família Arabic, tema do Workshop Sinusos Rápidos do ATS® que darei no dia 28/Abril/2017 aqui no 2º Congresso Tribal Sulamericano.

No ATS®, podemos fazer o agrupamento de alguns movimentos designados como Movimentos Sinuosos, aqueles realizados pela ondulação da coluna, ao longo do tronco todo. Estes são movimentos que têm como início de propulsão a região escapular (das vértebras torácicas) até o finalzinho da região sacra (das vértebras lombares) chegando ao cóccix.

Como Movimentos Sinuosos, temos tanto movimentos lentos como o Bodywave (aqui aos 6’02”) quanto movimentos rápidos. Nesse último caso, temos a Família do Arabic (aqui aos 3’15”), a qual possui aproximadamente 20 variações de movimentos, entre combinações com giros, na roda e nas diferentes formações (duplas, trios e quartetos).
Neste post, nos atentaremos aos Sinuosos Rápidos do ATS®. Particularmente, a Família Arabic é a família que muito me encanta e também me desafia, pois sua elegância está em trabalharmos nossa consciência corporal ao iniciar o movimento pelas escápulas, seguir descendo pela caixa torácica até o encaixe do quadril e assim, retornar ao início.

Para isso, trabalhamos muito a combinação do recolhimento e expansão do abdôme com o encaixe de escápula para a elevação e o relaxamento do busto, respectivamente, e o encaixe do quadril (região lombar e cóccix).
Como já sabemos, temos alguns estímulos que nos ajudam a coordenar essa movimentação da essência do Arabic, são elas:

Postura Adho Mukha Svanasana da Yoga

 

1. Quando pisar no 1 (pé direito) -> eleve o busto; quando pisar no 2 (pé esquerdo) relaxe o busto:
o somado a isso, recolha o abdôme na elevação e expanda no relaxamento do busto;
2. Exercícios de abertura de ombro, de despertar de escápula, fortalecimento do trapézio, alongamento de abdôme:
o somado a isso, temos a Yoga com o famoso Cachorro Olhando pra Baixo, o Adho Mukha Svanasana*, que nos ajuda muito a acessar nossa escápula e ombros de forma consciente, bem como, alongar toda a musculatura abdominal.

Cintia Vilanova | Mostra de Dança Festival Práticas Corporais de 2014

Todos os movimentos da Família Arabic garantem muita elegância e postura às bailarinas, sendo que tal consciência é transmitida para todos os outros movimentos do ATS®. Esteja aberta, pois o desafio é intenso e compensador.
Bora deixar nossa dança elegante!!!
*lembre-se de que toda atividade física deve ter o acompanhamento de um profissional especializado
Referência bibliográfica:
2014. Carolena Nericcio-Bohlman and Kristine L. Adams. American Tribal Style® Classic. Volume 1. FCBD®.

Falta pouco!

POR REBECA PIÑEIRO

É incrível como o tempo passou rápido desde a última edição. Falta muito pouco para o 2º Congresso Tribal!
Você já reservou sua vaga nas aulas e nos shows do evento? Estamos no último lote e na reta final das inscrições. Não deixe de participar deste grande encontro da Dança Tribal da América do Sul!

Turbante

Por Claudia Buzian

O tão amado e polêmico elemento de resistência negra, religiosidade, moda, status social, civil, político e a nossa dança!

1
As pessoas que fazem uso dele, dentro dessas circunstâncias que listei, não fazem ideia que existimos, com esse amor e respeito a ele e com uma causa tão significativa para cada uma de nós!
Os amantes de ATS sabem bem o que quero dizer.

2

Nos anos 80, a nossa aclamada artista Carolena Nericcio, criou um padrão estético e cultural para o ATS inspirada no que Masha Archer, sua professora, iniciou nos anos 70.  Masha, inspirada na Dança do Ventre, dentre outras modalidades, quis que a bailarina apenas chamasse atenção pela sua arte e não pelo seu corpo à mostra.
Com o uso do turbante, quem tivesse cabelos compridos não chamaria mais ou menos atenção que a bailarina careca, por exemplo.
O mais importante sempre seria a dança, o todo.

1-1

Hoje em dia o padrão estende-se para novos formatos e o turbante não é mais tão usado.
Que pena! Amo ver quem ainda dança com essa coroa!
Tem um tutorial no youtube da Larissa Archer (filha de Masha Archer), com algumas amarrações interessantes para o ATS, assim como no dvd do FCBD® “FCBD Tribal Basics Vol 2 Make Up & Costume”.

3

Para o dia a dia, a artista Esmeralda Colabone dá dicas:

Todos os dias, esse acessório tão cheio de significados é questionado sobre o seu uso e por quem.
Quem pode e quem não pode usá-lo, quem está certo e quem está errado.
Não vou entrar no assunto complexo de Apropriação Cultural, isso seria algo para outro texto, mas vou deixar um vídeo ótimo! Feito por uma profissional e pesquisadora maravilhosa!

Juliana Luna é estrategista de comunicação, articuladora urbana, artista, atriz e embaixadora cultural.

Ela também dá dicas, de amarrações, no projeto que ela comenta no vídeo abaixo:

Cada usuária tem a sua luta, assim como na dança. Enquanto algumas de nós lutam para que a dança seja algo mais profissional, por exemplo, no Egito, algumas bailarinas lutam ‘apenas’ pelo direito de dançar, sem que precisem esconder suas malas de figurinos e maquiagem ou usar seguranças nos eventos em que trabalham
Então agora, a luta árabe, a opinião de quem usa por escolha ou por imposição, já que, curiosamente, esses dias foi o Dia do Hijab ( 1º de fevereiro).

O vídeo com legenda está na página do facebook Vivendo o Islam: https://www.facebook.com/vivendooislam/

4

Vocês verão no vídeo que, elas comentam de alguns tipos de amarrações diferentes. Elas criam muitas formas de ficarem mais bonitas.
Dizer isso, me lembrou a Lei Tignon, criada em 1786, voltando à causa negra.
Aconteceu nos Estados Unidos, no período da escravidão. Dentre várias normas, para tentar estabelecer a ordem social, as mulheres livres ou não, foram obrigadas a usar um pano na cabeça, para esconderem seus cabelos e penteados, quando estivessem perante a sociedade. Isso porque, elas estariam chamando muito a atenção na alta sociedade branca.
Elas seguiram a lei, mas usando tecidos muito bonitos e enfeites para tornar o turbante ainda mais incrível. E seguiram poderosas.

E o que eu acho do seu uso na dança e de todos os elementos que nos são intrínseco?

Antes, esses vídeos:

Nossa arte usa de personagens para que histórias sejam contadas no palco e, nos caracterizamos com nossas experiências e coleções, principalmente no ATS® e suas vertentes. Tudo faz parte de uma busca incessante de elementos tribais ou não, que nos trazem significado sobre o que queremos passar e o que somos!
Eu por exemplo, não consigo me desprender do que me faz sentido, do que me conecta com toda a minha ancestralidade. Vocês poderão me ver por aí com turbante, Henna, tranças, sari, tudo! O que me religa e junta meu quebra-cabeça, não me deixa perder o chão.
Mas como esse pano amarrado tão simbólico surgiu?
Existem relatos de seu uso antes mesmo de Maomé, lá no Oriente Médio e continente Africano.
Éle é símbolo de fé em diversos países e culturas.
Islamismo, Sikh, Candomblé e Umbanda são exemplos.

5

Algumas religiões ligam o seu uso ao peso da sua fé, sua fidelidade à ela, proteção contra os maus pensamentos.

6
7

 

Rebeca Piñeiro nos EUA!

Nossa produtora, idealizadora, diretora geral e professora do Congresso Tribal, Rebeca Piñeiro estará no Homecoming, o maior evento de ATS®| American Tribal Style do mundo!

O Homecoming acontecerá do dia 19 ao dia 22 de  janeiro de 2017 em Burlingame, Califórnia -EUA.

Rebeca foi selecionada para dançar no show do evento e convidou suas amigas para este momento. Entre elas, Mariana Esther que também é professora oficial do Congresso Tribal!

O Brasil será representado em grande estilo nos EUA por Rebeca Piñeiro, Mariana Esther, Kelsey Suedmeyer (FCBD®), Níjme®, Ana Asch e Tati Araújo Shaman Tribal.

Rebeca também dançará na festa Underground Nomads que acontecerá dia 17 de janeiro de 2017 em São Francisco, Califórnia,  ao lado da americana Becka Bomb.