#21 -ENTREVISTA | Ananda Botelho Mendes

 

Entrevista especial com a Ananda Botelho Mendes (Rio de Janeiro, RJ | Brasil) !

IMG_8752CT: Por que começou a dançar? O que te levou a procurar esta arte? 

Reza a lenda que “balé” foi uma das primeiras palavras que eu falei. Minha mãe, bailarina e coreógrafa talentosa, ria muito com o desespero daquele bebê querendo começar a dançar. Com 3 anos e pouquinho ela me matriculou no baby class, e desde então eu não consegui mais desgarrar da dança.

 

CT: Desde qual ano você se dedica aos estudos no Tribal e em qual ano se tornou professor(a)? 

No início de 2015 eu comecei a pesquisar loucamente sobre Tribal e a praticar com os DVDs da Rachel Brice. Em maio do mesmo ano me juntei à turma iniciante de Tribal Fusion da Lucielle LeFay, que é minha professora até hoje. Em 2016 eu participei do curso intensivo de ATS® dela, despretensiosamente. O ATS® se tornou tão importante na minha vida, pelo fator de interação com o coletivo e pelo fator de entrega na improvisação, que hoje é o meu preferido. Na época em que comecei a estudar o Fusion eu estava vindo de um background de dança com investigação energética, do trabalho de afrocontemporâneo da maravilhosa Mônica da Costa Aduni. Logo eu percebi que a movimentação do Fusion me aproximava do trabalho interno que eu estava fazendo pra mim, com a minha mente e o meu corpo. A partir disso eu fiz alguns experimentos unindo essas duas áreas – dança Tribal e investigação terapêutica – que ficaram na minha gaveta. Em 2017 eu reciclei o curso do Fogo Sagrado Alinhamento Energético, terapia na qual eu tinha me formado quase dez anos antes. O caminho natural foi começar a botar todos esses universos para conversar. A consequência foi o desenvolvimento de oficinas e cursos como o Ewá – Curvas e Curas, Dança para Sentir e Exuberância Interior. Mas a movimentação livre ainda é o pilar corporal dessas práticas, mesmo quando temos o Tribal nas vivências. O processo de alquimia íntima do Alinhamento Energético com a linguagem Tribal está continuamente no forno e precisa de tempo.

 

IMG_8616webCT: Com quais modalidades de dança você trabalha atualmente? 

O Tribal (especialmente Fusion) é a única modalidade que eu tenho ensinado nos meus cursos e oficinas. Muitos deles são vivências com propostas conceituais bem definidas, mas não possuem nenhum estilo regente da prática de dança. Nesses casos tudo acontece por uma investigação corporal e psicoemocional onde cada uma descobre a sua movimentação a partir da ideia central da oficina e/ou a partir das estruturas terapêuticas do Alinhamento Energético. Quando o Tribal entra na proposta ele funciona como uma porta, um pavimento pra esse percurso, que é de autoconhecimento.

 

CT: Em quais escolas você ministra aulas?  

Os meus cursos e oficinas eu realizo de forma independente, em diferentes locais no Rio de Janeiro. Então quem quiser saber das próximas atividades pode me seguir no Instagram @anandabotelhomendes ou então enviar um whatsapp para (21) 99316-1476 pedindo pra entrar na mala direta.

 

CT: O que a sua carreira representa em sua vida? IMG_8644web

É até difícil de separar o que é a carreira de dançarina, o trabalho e pesquisa como terapeuta e tudo o mais que eu vivo, que é da mesma forma imerso em observação artística e espiritual. Cada vez mais eu vejo tudo como uma coisa só. É tudo muito importante.

 

CT: Como sente o crescimento da cena Tribal? O que mudou, melhorou ou piorou? 

Fico feliz com o crescimento da dança Tribal nos últimos anos, a expansão é evidente. Especialmente do ATS®, me surpreende; nos eventos em que temos a oportunidade de dançar com tanta gente, sempre tem alguém novo. Ao mesmo tempo existe um clima de hostilidade no meio que precisa ser reconhecido para ser curado. Ainda temos um caminho a trilhar até estabelecer o Tribal para o público mainstream no Brasil e acredito que isso vai depender da nossa força e generosidade entre a gente, enquanto comunidade. Vejo que o trabalho da Rebeca agrega muito de positivo nesse sentido.

 

CT: Onde deseja chegar como professor(a) do estilo?

Meu objetivo principal é que a vivência desperte algo em quem participa, e que de alguma forma isso faça o processo daquela pessoa se aprofundar. Quero que o trabalho se expanda pra novos públicos e que se desenvolva, se torne cada vez mais rico, mais efetivo enquanto método.

 

CT: Qual a principal transformação que sente em seus alunos ao aprenderem o IMG_8753Tribal? 

Tive relatos incríveis de mulheres que voltaram a sentir seus corpos como há muito não sentiam, mulheres que começaram a dançar espontaneamente a partir de vivências com a movimentação do Tribal e resgatar movimentos serpentinos que estavam há muito tempo enrijecidos em seus músculos. Nesse tipo de vivência terapêutica, uma das coisas mais preciosas que acontecem, certamente uma das mais centrais, é a auto permissão para ser quem se é: uma arte tão simples, e muitas vezes tão massacrada na competição artística. Com isso o resultado natural é um transbordamento de permissão ao outro. Os encontros de olho no olho são lindos e difíceis de descrever. Além disso, acredito que seja contagioso.

 

CT: O que é Tribal LifeStyle para você? 

O Tribal teve um papel de reconexão com o coletivo que foi muito importante pra mim. Sofri de depressão e fobia social durante a maior parte da minha vida. A potência de reinserção social de uma prática como o ATS® é incrível e pode ser mais explorada. Isso pra mim é a essência do Tribal. As regras, vestuário e movimentos são inteligentes e esteticamente deliciosos, mas servem a um mecanismo maior, que é o da conexão. Sem isso nada funciona.

 

IMG_8625webCT: Quantas edições do Festival Campo das Tribos ou Congresso Tribal você já participou? 

Participo desde a primeira edição do Congresso, em 2016.

 

CT: Conte um pouco da sua experiência nas produções Campo das Tribos e o que elas transformaram em sua carreira e na cena Tribal da América do Sul. 

Como participante da mostra as minhas experiências no Congresso foram sempre muito excitantes. Aquele tipo de momento que você percebe experiencialmente que está no meio de algo grandioso, diante da receptividade do público e do cuidado caloroso da organização do evento. Em que você olha no olho das pessoas que estão dançando com você, vê aquela chama acesa na pessoa e pensa: “Cacete, que honra dividir o palco com você!…”
Esta é a primeira vez que terei a oportunidade de estar participando como professora e também como aluna dos workshops. Estou encantada com a possibilidade de absorver tanto conhecimento corporal e relacional.

 

CT: Deixe um recado, uma dica ou um pensamento para os alunos do CongressoIMG_8716 Tribal e amantes do estilo.
Confiem no que a alma de vocês pulsar. Escutem sempre o corpo de vocês, abram-se para ouvi-lo. E se isso não fizer sentido, silenciem a mente porque muitas vezes ela atrapalha a gente mais do que ajuda… rs ❤

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