#5 – ENTREVISTA |Lailah Garbero

Lailah Garbero (Juiz de Fora, MG | Brasil) estará pela primeira vez como professora do evento! Confira a entrevista exclusiva para o Blog do Congresso!

CWhatsApp Image 2019-03-15 at 14.30.21 (4)T: Porque começou a dançar? O que te levou a procurar esta arte? 
LG: Desde criança dancei. Comecei no ballet aos 5 anos e desde então nunca parei de dançar. É como se meu corpo pedisse, é uma explicação que está acima de um motivo determinado… danço porque preciso, porque faz parte do meu metabolismo.
CT: Desde qual ano você se dedica aos estudos no Tribal e em qual ano se tornou professor (a)? 
LG: Tive uma formação de 10 anos em ballet clássico e, em seguida, encontrei a dança do ventre. Era algo diferente de tudo que eu havia feito na linguagem coporal do ballet. Quando assisti ao vídeo “Entrance of the Stars” do Belly Dance Super Stars e assisti a entrada das bailarinas de tribal, meu mundo caiu. Para mim aquilo foi completamente hipnotizante. Era 2011 e eu começava a ensinar minha primeira turma de dança do ventre, a convite de Cintia Prado, minha professora de dança do ventre da época e diretora da escola que eu trabalhei até o ano de 2016 e guardo extremo carinho (Studio Tablado Árabe). Comprei milhares de dvds, fiz workshops (entre eles um da professora Joline Andrade em minha cidade e outros vários no Encontro Internacional Bele Fusco que trouxe Kami Liddle ao Brasil e contou com diversas professoras da cena nacional).
Assim, como aqui em Juiz de Fora não havia aula de tribal, em 2012 resolvi montar um grupinho de alunas interessadas em conhecer mais, onde compartilhei todos esses cursos que havia feito e continuei estudando.
CT: Com quais modalidades de dança você trabalha atualmente? 
LG: Tenho uma abordagem no fusion advinda da dança contemporânea e das práticas somáticas para sensibilizar o corpo, entretanto, trabalho apenas com o ensino regular do Tribal Fusion e, alguns cursos esporádicos de consciência corporal.
WhatsApp Image 2019-03-15 at 14.30.21CT: Em quais escolas você ministra aulas? 
LG: Atualmente ministro minhas aulas no Studio de Danças Rafaela Alves, em Juiz de Fora (MG), espaço muito especial que acolhe de braços abertos todo meu fazer artístico e didático. https://instagram.com/studiorafaelaalves?utm_source=ig_profile_share&igshid=fgmmy7n3dr7l
CT: O que a sua carreira representa em sua vida? 
LG: Representa meu ponto central de amadurecimento em diversos aspectos, meu canal de possibilidade de troca com o mundo, meu propósito atual de vida, inúmeras memórias de amizade, compartilhamento, superação, pluralidade, criatividade e um dos caminhos que me tornou o ser humano que me sinto feliz em ser hoje!
CT: Como sente o crescimento da cena Tribal? O que mudou, melhorou ou piorou? 
LG: Sinto que temos mais acesso a cursos, materiais online, difusão do estilo e diversidades de identidades expressas na dança! Não diria que algo piorou, mas aponto que visualizo uma contradição quando olhamos a história do tribal fusion que surge como uma forma de aflorar o que cada bailarina tem de brilho próprio, enquanto, ao mesmo tempo, tantas estão se esforçando para serem uma réplica de profissionais que já consolidaram o seu próprio estilo, principalmente se essa profissional fizer mil alegorias técnicas de arrepiar. O enfoque da expressividade vem sendo deixado de lado, em face de um tecnicismo que nem sempre diz algo além do “sei fazer muitas coisas com meu corpo”… e tudo bem, também. Mas acredito em uma dança que tenha a totalidade: técnica e emoção.
WhatsApp Image 2019-03-15 at 14.30.21 (1)CT: Onde deseja chegar como professor (a) do estilo?
LG: Quero consolidar a cada dia mais a minha metodologia própria que conecta o ensino do tribal fusion com instrumentos que aflorem a criatividade e a potência desconhecida do ser humano. Acredito no tribal como linguagem para realizar esse trabalho porque ele possui uma história muito forte e que reverbera em cada nuance de sua estética.
Ensinar pessoas latino americanas (em sua maioria mulheres) a terem uma postura altiva enquanto somos rebaixadas a nível político-social pelo sistema capitalista e patriarcal é um baita desafio! Falar de apropriação da pelve para colocá-la em movimento diante de uma sociabilidade que nos bloqueia de nossa sexualidade e do contato com essa região, é mexer em um tabu materializado no corpo. São diversos elementos que me motivam a acreditar que o tribal possui uma potência de aflorar um ser humano a cada vez mais emancipado das amarras ideológicas que limitam o movimento e a própria vida.
CT: Qual a principal transformação que sente em seus alunos ao aprenderem o Tribal? WhatsApp Image 2019-03-15 at 14.30.20
LG: Quando começo uma turma iniciante, aprendemos, inicialmente a habitar um corpo sem habitante consciente. Geralmente recebo alunas que só lembram de sentir o corpo quando sentem dor, como a maioria da população.
A transformação se inicia aí… elas descobrem que o corpo diz mais do que uma reclamação.
Em seguida, vamos aprendendo sobre as bases da fusão e ensino vários elementos de ATS (afinal, como fusionar se eu desconheço os elementos que quero misturar?). Nesse momento, sinto que a confiança de minhas alunas fica a cada dia mais latente… pela projeção postural, pelo trabalho em equipe, pela amorosidade.
Quando iniciamos as investigações de fusão, sem espelho, sem sequência pronta, mas sim, pesquisas norteadas por vetores graduais, sinto que elas afloram suas criatividades de uma forma incrível! Acompanho suas redes sociais e elas simplesmente começam a se tornar extremamente criativas em todos os setores de suas vidas: começam a desenhar, cozinham pratos diferentes, mudam coisas de lugar em suas casas e fazem diversas coisas surpreendentes e lindas com todo o conhecimento que estão colhendo de si próprias!
CT: O que é Tribal LifeStyle para você? 
LG: É acreditar no ser humano, no trabalho em equipe, em estimular as diferenças e acreditar na riqueza individual que orquestra cada pessoa no todo social e a torna única e importsnte com sua singularidade dentro de um todo coletivo.
WhatsApp Image 2019-03-15 at 14.30.21 (2)CT:  Quantas edições do Festival Campo das Tribos ou Congresso Tribal você já participou? 
LG: Participei do Festival Campo das Tribos de 2013 e 2014!
Pude participar apenas do Congresso de 2018, apesar de querer ter estado nas anteriores, mas estive impossibilitada de ir.
CT: Conte um pouco da sua experiência nas produções Campo das Tribos e o que elas transformaram em sua carreira e na cena Tribal da América do Sul.
LG: Durante os anos de 2011 e 2014 eu ia todo mês para São Paulo porque tive um ex namorado que mora na cidade e que, inclusive, me dava todo o estímulo e suporte para estudar, tendo em vista que em Juiz de Fora não havia como, já que eu era a única que ensinava (com o passar do tempo foram surgindo algumas professoras mas, novamente, sou apenas eu quem leciono até hoje). Sempre que podia, fazia cursos e participava de workshops… o Campo das Tribos era meu referencial de ensino de tribal por agrupar e estimular diversos profissionais do estilo.
Com o surgimento do Congresso, percebo que as fronteiras latino americanas estiveram cada vez mais abertas e isso aumentou o intercâmbio cultural e didático de uma maneira incrível.
Sem dúvidas, Rebeca Piñeiro é uma grande precursora e profissional para o impulsionamento da cena brasileira de Tribal Fusion e ATS®.
WhatsApp Image 2019-03-15 at 14.30.21 (3)CT: Deixe um recado, uma dica ou um pensamento para os alunos do Congresso Tribal e amantes do estilo.
LG: Vocês estão em contato com uma dança que expressa uma filosofia.
Não se trata apenas de uma técnica. É mais do que isso.
É uma expressão, uma pulsão sensória.
É preciso sentir, autenticidade, questionamento e presença.
Disfrutem desse evento lindo! Aprendam! Divirtam-se!

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