#23 – ENTREVISTA |Marilia Lins

Entrevista super especial com  Marilia Lins (Cotia, SP | Brasil). Ela retorna aos palcos do Campo das Tribos! Você sabia que há muitos anos atrás foi a Marilia quem ajudou a Rebeca Piñeiro a escolher o nome Campo das Tribos? Sim! Uma história longa de parceria, ciclos e aprendizados.

 

sagradasselecionadas_alta-20CT: Porque começou a dançar? O que te levou a procurar esta arte?

Danço desde pequena. Sempre foi algo muito forte em mim. Ouvia músicas que me tocavam e sentia vontade de expressá-las com meu corpo. Brincava de fazer show de dança e era sempre quem criava coreografias para meus grupos de amigas na escola. Lembro de participar de um concurso de lambada quando estava na segunda série do primário.  A dança sempre se apresentou de forma natural na minha vida, inclusive a Dança do Ventre, que iniciei quando tinha 11 anos com uma professora que nunca irei esquecer. Ela ensinava as ondulações abdominais fazendo metáforas ao ondular das águas do Rio Nilo. Acredito que mais do que eu ter escolhido a danca, a dança sempre me escolheu.

 

CT: Desde qual ano você se dedica aos estudos no Tribal e em qual ano se tornou professor (a)?

Iniciei meus estudos no Tribal no ano de 2009. Naqueles tempos, o estilo Tribal Fusion mal tinha chegado aqui no Brasil. Estudava com vídeos didáticos das Tribais do Bellydance Superstars, Rachel Brice, Sharon Kihara, Zoe Jakes. Estive na primeira turma que a Mariana Quadros iniciou em São Paulo, mas por conta da distância não foi possível seguir com as aulas. Percebi que precisaria estudar o tribal estudando suas raízes naquele momento. Foi então que estudei a dança do ventre com Dúnia La Luna, que tem um estudo muito aprofundado das danças femininas que estão mais preservadas em sua originalidade, também estudei Danças Urbanas e Odissi. Na mesma época, estava me formando como professora de Yoga, adquirindo conhecimento anatômico, pedagogia e condução de práticas.   Tudo fluiu de forma muito orgânica para começar a dar aulas. Treinava dando aulas de Yoga para amigas que sabiam que eu dançava, e que insistiram para também começar a ensiná-las a dançar. Como já tinha naquele momento alguns anos de prática em dança do ventre, comecei a partilhar uma prática que trazia Yoga e Dança. Foi dando certo, a procura pela Dança foi ficando até maior que a pelo Yoga, e quando me dei conta, já estava com várias turmas, trilhando desde 2010 os passos como professora de Dança Tribal.

 

CT: Com quais modalidades de dança você trabalha atualmente?

Atualmente desenvolvo a Dança Tribal Ritualística, que reúne o universo da Dança Tribal com a Sagrada Sabedoria Feminina. É um estilo de fusão, que além de técnica de dança também traz o estudo da espiritualidade dos povos ancestrais. Também sou a criadora do método Tribal Shakti, que tem por objetivo permitir uma jornada de autoconhecimento, empoderamento e cura por meio de chaves corporais e respiratórias, atribuindo significado bioenergético aos movimentos da dança tribal e levando a um estado de êxtase e conexão por meio da dança.

 

54515807_2304370563174600_4997699283646939136_oCT: Em quais escolas você ministra aulas? 

Tenho trabalhado apenas com grupos fechados no momento. A Formação em Dança Tribal Ritualística é o maior trabalho que estou ofertando neste momento, e está de portas abertas no momento. É uma jornada iniciatica por meio da Dança Tribal com um grupo que se forma e segue junto por vários meses de encontros intensivos e profundamente transformadores. Os encontros acontecem em Embu das Artes, bem próximo de São Paulo, mas ao mesmo tempo no meio da Natureza. Para mais infos, envie um e-mail para dancatribalritualistica@gmail.com

 

CT: O que a sua carreira representa em sua vida?

Minha carreira é o meu Dharma, o meu serviço nesta vida, aquilo que vim manifestar em benefício de todos os seres. Eu vivo o meu trabalho intensamente e o invento a cada dia. Sei que sou apenas um canal de uma força inteligente e amorosa muito maior do que eu, então sigo incansável sempre querendo agregar valor na vida das mulheres. Acredito que encontrei no que faço a missão de minha vida, e me sinto muito afortunada por isso.

 

CT: Como sente o crescimento da cena Tribal? O que mudou, melhorou ou piorou?53609569_2295491870729136_7865654070529228800_o

Quando iniciei no Tribal praticamente não havia cena tribal. Percebo que no início justamente por não existir muita coisa vários caminhos foram trilhados. Eu particularmente nunca me adaptei ao formato que se inspirou no que já acontecia na cena BellyDance no país, nunca acreditei em concursos ou competições, pois não acredito que a energia de competitividade que trazem sejam mais benéficas do que maléficas. Apesar de apreciar o formato palco que a Dança Tribal costuma se apresentar não apenas no Brasil, mas no mundo todo, o que realmente faz meu coração vibrar é o que venho buscando manifestar através de Ritos Artísticos, que evocam as Artes Sagradas Ancestrais, onde cerimônia, celebração, arte em suas diversas formas (dança, música, teatro, poesia, etc.) compõe um todo único e organizado com um objetivo definido, geralmente associado ao momento da roda do ano, onde a técnica é uma ferramenta para a expansão da consciência, e a performance é uma forma de nos aproximarmos do divino. Acredito ser este o verdadeiro espírito do Tribal, sempre foi este o lugar que esta dança me levou. Estou muito satisfeita com o Rito Artístico que oferecemos na Conclusão da Formação Dança Tribal Ritualística, pois trouxemos uma nova proposta de espetáculo mais sensorial e interativo, onde o público é levado a sentir e participar, com apresentações encadeadas e transições fluidas, com uma duração agradável, sem se tornar cansativo e desconexo ao público. Percebo que muitos festivais e eventos tem buscado trazer eventos com significados e propostas mais profundas e vejo isso com alegria e otimismo. É muito importante que esta Dança tão mágica e bela esteja a serviço do bem maior e não a serviço do ego, então todo movimento nesta direção tem grande valor ao meu ver.

 

CT: Onde deseja chegar como professor (a) do estilo?

Desejo impactar o maior número possível de mulheres, lembrando-as de que seus ventres e corpos são sagrados, e poderosos. Desejo ajudar o maior número possível de mulheres a se amarem e encontrarem na dança a sua medicina. Desejo expandir a Dança Tribal Ritualística para que mais e mais mulheres possam se empoderar e se capacitar para empoderar outras mulheres através da Dança e do Círculo.

 

sagradassemtratamento-114CT: Qual a principal transformação que sente em seus alunos ao aprenderem o Tribal?

O desabrochar de seu verdadeiro ser, de sua verdade mais profunda e autêntica. Curas físicas e emocionais. Empoderamento e confiança para seguirem sendo líderes de suas próprias jornadas e líderes em seus próprios círculos sociais.

 

CT: O que é Tribal LifeStyle para você?

É uma forma de vida que honra as culturas ancestrais de nosso planeta, sua sabedoria, suas medicinas, sua arte e de acordo com as afinidades pessoais de cada pessoa, tecemos a nossa identidade única, que se torna a nossa expressão e comunicação como o mundo. Desde a forma de se vestir à forma de se alimentar, esta curiosidade e amor pelas texturas e sabores do mundo está presente no Tribal LifeStyle e ele inspira cada pessoa a buscar a sua verdade, que é compatulhada, mas é ao mesmo tempo única quando a impressão digital, e em sua diversidade é bela, é multi e ao mesmo tempo acolhedora, pois todas as verdades podem ser honradas.

 

CT: Quantas edições do Festival Campo das Tribos ou Congresso Tribal você já 46416897_2222479744697016_1604963535450800128_nparticipou?

Participei das primeiras edições, acho que duas ou três, depois me afastei para ser mãe e desenvolver e parir também o meu trabalho autoral, que é Dança Tribal, mas é mais do que uma dança e sim uma compilação organizada em um método que reúne os mais de 15 anos de estudo, prática, iniciações em dança e em espiritualidade. Deste novo lugar, alinhada com meu propósito, retorno ao Festival neste ano para partilhar o fruto deste processo.

 

CT: Conte um pouco da sua experiência nas produções Campo das Tribos e o que elas transformaram em sua carreira e na cena Tribal da América do Sul.

 

Como falei acima, minhas participações aconteceram no começo da história do Campo das Tribos e sinto-me feliz em ter ajudado no ancoramento deste movimento, lembro-me inclusive de conversar com a Rebeca sobre o protótipo do Festival e auxiliar a Rebeca no brainstorm criativo que deu origem ao nome Campo das Tribos. Naquele momento não poderia imaginar o tamanho que isso chegaria e é muito bonito perceber como tudo se expandiu e trouxe a tanta gente a oportunidade de estudar e crescer juntamente com a cena Tribal Brasileira.

 

PreviaDTRfev_alta-39(1)maCT: Deixe um recado, uma dica ou um pensamento para os alunos do Congresso Tribal e amantes do estilo.

A Dança Tribal é uma dança que brota de raízes muito antigas. Muitos de seus movimentos e passos tem sua origem perdida no tempo. Quando você faz um círculo, um espiral ou um 8 com o seu corpo, você está desbloqueando chaves de sabedoria que nossas ancestrais codificaram num movimento prazeroso e terapêutico. Deixe que a voz destas mulheres sábias te lembrem de quem você realmente é. Não deixe que sua dança te escravize ou torture com comparações que só baixam nossa auto-estima e nos afastam umas das outras. Dance no palco, mas dance também ao redor do fogo, ou diante do mar numa lua cheia. Dance para o público, mas dance também com as suas irmãs, sorrindo, olhando nos olhos, sem se preocupar com tropeços ou erros. Dance elaboradas coreografias, mas permita-se ser canal da dança cósmica que é dançada através de você quando você simplesmente abre caminho para que o milagre da vida se manifeste.Estou sempre à disposição para ajudá-la a trilhar o caminho da Sacerdotisa Dançante caso você sinta este chamado. Até o Congresso!

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